Internet abre oportunidades de lucro.
Tiago Figueiredo Silva
Num século de mudanças, responder às exigências do mercado utilizando tecnologias de ponta é a chave para o sucesso de qualquer empresa. Com a Internet mais do que explorada, os horizontes viram-se agora… para fora deste mundo.
A nova alternativa está nos ambientes simulados como forma de comunicação e rentabilização e o Second Life (SL) é o seu melhor representante.
No entanto, para se iniciar neste mundo virtual a três dimensões não basta comprar um terreno e começar a construir. O processo é mais complexo e envolve etapas como ter a tal ideia original, desenvolver um plano de negócios até chegar à presença virtual.
É neste contexto que surge a portuguesa Beta Technologies (BT).
A ‘joint-venture’ com a nova-iorquina Full House, explora o desenvolvimento de presenças virtuais institucionais em ambientes tridimensionais para clientes de todo o mundo, adaptando a tecnologia do mundo virtual para transmitir a imagem e a missão das empresas. Com mais de 60 projectos desenvolvidos, na sua grande maioria para empresas internacionais, os auto-denominados “arquitectos do mundo virtual” são a porta de entrada para o Second Life.
“As oportunidades de negócio no SL são ilimitadas, basta ter uma ideia nova e boa”, considerou o gestor de negócio da BT, Luís Sequeira.
Contudo, a equipa multidisciplinar e as várias parcerias permitem à Beta Technologies ir mais além da construção, arquitectura, e programação.
Para responder às necessidades dos interessados em ingressar no mundo virtual, a empresa conta com serviços de assessoria, consultadoria e ‘marketing’. Com um processo de início na “segunda vida” que tanto pode partir das empresas como da própria BT os prazos de execução de projectos são indiscutivelmente positivos: com contrato assinado a empresa demora apenas 4 a 6 semanas, tendo já conseguido terminar em apenas 2 semanas. No entanto, o processo, independentemente do ângulo escolhido, só peca na hora da negociação, tudo por culpa da falta de indecisão das empresas.
Os custos podem ser atraentes, dependendo da dimensão do projecto: oscilam entre os 10 e os 15 mil euros, podendo ser acrescidas despesas com os serviços de ‘marketing’, caso o cliente não tenha sua própria agência.
O raciocínio é simples: não é necessário investir muito mas, saber investir de forma inteligente.
Dar a conhecer e divulgar a presença virtual da empresa, a última e derradeira prova de esforço poderá assentar no grande espaço potenciador do ‘passa a palavra’. Contudo, caso o cliente não tenha a sua própria agência de ‘marketing’, a BT dá igualmente o seu apoio através de várias estratégias (como recorrer a celebridades do SL) ou do uso das suas parcerias.
Mas, tal como “não há almoços grátis”, o retorno dos investimentos feitos não é directo mas sim de ‘marketing’. Ou seja, a própria exposição às marcas e produtos representam a grande vantagem em termos de benefícios e na associação da imagem e da corrente de pensamento da empresa.
Apesar de ser impossível contabilizar a conversão de utilizadores em clientes, o Second Life representa já a nova aposta virtual das empresas junto dos seus clientes reais.
Os diferentes cenários das empresas
Mais duas empresas nacionais a caminho do Second Life
O percurso da Beta Technologies no panorama nacional tem conhecido diferentes cenários. Depois de terem lançado várias propostas a empresas nacionais – como a Novabase – que acabaram por não ter sucesso, a BT deixou de apostar claramente no nosso país encontrando-se, no entanto, neste momento a negociar projectos com duas grandes empresas.
“O problema das empresas em Portugal está no seu tempo de decisão no processo de negociação” que, de acordo com o fundador e sócio gerente da Beta Technologies, Jorge Lima, se deve à demora em saberem o que pretendem e na constante mudança de opinião. No entanto, apesar da disponibilização de informação os motivos não ficam por aqui: a falta de dinheiro, de entusiasmo e de confiança em investir no SL, bem como, a escassez de tempo e pessoas, são outras das causas apontadas. “Tenho esperança que o cenário mude”, concluiu o mesmo responsável.
A grande aposta das multinacionais americanas
A grande falta de confiança em investir no Second Life por parte das empresas nacionais é contrariada pelo forte apetite demonstrado pelas gigantes multinacionais, sobretudo as norte-americanas. Os mais de 60 projectos desenvolvidos pela Beta Technologies tiveram como destino, na sua grande maioria, empresas internacionais e entre os grandes contratos encontram-se nomes como a Xerox ou a Honeywell. Depois de um 2007 direccionado para o ‘marketing’, a aposta da Beta Technologies centra-se agora em vertentes como a formação ou a simulação. Os resultados com do projecto da Xerox são reveladores dessa aposta: a nível prático, com a combinação da formação interna de trabalhadores com a simulação da utilização de várias fotocopiadoras da empresa, bem como monetário, uma vez que os vários projectos apresentados já superaram a fasquia dos 60 mil euros.
As várias adaptações de acontecimentos da vida real no contexto virtual do Second Life
Campanhas Eleitorais – António Costa para a Câmara de Lisboa
A sede da campanha de António Costa, candidato do PS à presidência da Câmara de Lisboa nas eleições intercalares, foi um dos pequenos projectos apresentados pela Beta Technologies, num valor inferior a 5 mil euros.
Solidariedade – Desaparecimento de ‘Maddy’ McCann
O desaparecimento de Madeleine McCann a 3 de Maio de 2007 no Algarve também chegou ao Second Life, com a colocação de vários ‘posters’ digitais em locais estratégicos no mundo virtual com o objectivo de ajudar às buscas.
Sistema Monetário – Linden Dollar é a moeda oficial
Não tem valor directo na vida real, mas o Linden Dollar pode ser convertido em dólares ou comprado através de Paypal. A moeda virtual aproxima-se de tal modo da realidade que sofre flutuações em relação à divisa norte-americana.
Salões Virtuais – para apresentação das novidades
A Renault ou a Peugeot são algumas das marcas que aproveitam o Second Life para darem a conhecer os últimos modelos, antes mesmo de serem comercializados na vida real, possibilitando a realização de ‘test drives’ virtuais.
Informação Virtual – sobre o mundo ‘real’ para os residentes
A Reuters abriu uma delegação virtual no Second Life, com direito a chefe de redacção, na qual publica notícias, imagens e vídeos do mundo ‘real’ para os residentes, garantindo as regras editoriais apesar do ambiente virtual.
Fonte: http://64.233.169.104/search?q=cache:S9SFKKlxvcoJ:diarioeconomico.com/edicion/diarioeconomico/edicion_impresa/financas/pt/desarrollo/1110705.html+mundos+virtual+second+life&hl=pt-BR&ct=clnk&cd=5&gl=br